Monday, April 07, 2025

Frente Parlamentar do Petróleo, Gás e Energia e os desafios do Setor.

 

Em 25 de Março deste ano um importante Marco para o Mercado de Energia brasileiro ocorreu em Brasília. 

O lançamento da Frente Parlamentar do Petróleo, Gás e Energia e do seu braço técnico, o IPEGEN, ocorreu sob a tutela de 5 Ex-Ministros, 2 Senadores da República e 17 Deputados, representando o mais relevante evento sobre Política de Energia desde a criação do Decreto 2745/95, que com a abertura do Mercado de Petróleo permitiu lastro de competitividade à Petrobras, garantindo a ela ser o elo central para o desenvolvimento desta importante cadeia para o País.

A relevância do evento e o peso do time envolvido justifica-se dados números deste Mercado que, segundo o IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo), produziu 3,4 milhões de bbl/d em 2024, tendo exportado 1,8 milhões deste montante.

O setor, que representa 10% do PIB industrial do país e pretende continuar contribuindo com o crescimento econômico através de investimentos previstos em exploração e produção da ordem de US$ 180 bilhões entre 2022 e 2031, importou 0,3 milhões de bbl/d e refinou 2,0 milhões de barris ainda no ano passado.

De olho no futuro, A produção nacional de petróleo deverá alcançar em 2031 um volume total da ordem de 5,2 milhões de bbl/d, proporcionando, somente no segmento do upstream, mais de 400 mil postos de trabalho na média anual no período 2022-2031. No mesmo período, serão recolhidos aos cofres públicos mais de US$ 600 bilhões (são considerados Royalties, Imposto de Renda, Participações Especiais, parcelas de óleo lucro e outros impostos).

A exportação de petróleo e derivados é um dos destaques na balança comercial brasileira, com receita superior a US$ 54 bilhões em 2024. Nos últimos 8 anos, o segmento de petróleo e derivados gerou US$ 110 bilhões em superávit comercial, sendo o petróleo bruto e os derivados, respectivamente, os segundo e quarto itens mais importantes em termos de valor.

O Brasil possui atualmente 84 grupos atuando no upstream, sendo 45 nacionais, com diversos tamanhos e perfis de atuação. As companhias independentes são responsáveis por cerca de 4% da produção nacional (cerca de 160 mil bbl/d em 2022) e vão investir US$ 10 bilhões nos projetos até 2027, aumentando a produção desses ativos, que devem atingir o pico de 485 mil bbl/d em cinco anos. Estas empresas devem aumentar em 980 milhões de boes (número que considera o Petróleo e a conversão do Gás gerando em bbl/d) em reservas remanescentes desses ativos, um volume significativo para quem está investindo em projetos de revitalização da produção.

Todos esses elementos nos tornam o 9º maior produtor de petróleo do mundo, o 8º maior consumidor, além de termos o 9º maior parque de refino do planeta.

A enormidade deste mercado é proporcional aos desafios impostos por ele, pois para que o Brasil concretize as oportunidades associadas à cadeia da indústria de petróleo e gás, é necessário um ambiente de negócios que proporcione segurança jurídica e respeito aos contratos vigentes, simplificação tributária, liberdade de precificação, atração de investimentos e multiplicidade de agentes.

Do ponto de vista regulatório é importante fortalecer a atuação das agências reguladoras, por meio da manutenção de definições com base em critérios técnicos, da celeridade dos processos, da promoção do debate amplo com participação social e da fiscalização assertiva sobre as atividades reguladas, assegurando assim um ambiente de negócios saudável, transparente e que defenda também os interesses dos consumidores.

Outra pauta prioritária deve ser o aprimoramento do processo de licenciamento ambiental, dadas as especificidades do setor e o grande volume de atividades que ocorrem na exploração e produção de petróleo e gás. Celeridade, regramentos e padronizações ainda são necessários.

O ciclo de investimentos no setor de O&G é longo, com uma janela de tempo significativa entre o início dos investimentos nas atividades exploratórias e o início da produção e da geração de receitas.

Assim, os investimentos do setor têm longo prazo de maturação - de cinco a sete anos, em média, para que haja descobertas de recursos economicamente viáveis. O ciclo de produção é de até 35 anos. Vale destacar ainda que, até o início da produção, os projetos operam sem receita. Essa característica de uma fase mais prolongada de investimentos reflete a importância da segurança jurídica dos regimes fiscais para atração de novos investidores e manutenção dos já existentes, e neste rol destaco o REPETRO que não representa um simples subsídio ou uma renúncia fiscal, mas sim a transferência da tributação da etapa inicial de investimentos para a fase de efetiva produção. Esse modelo segue as melhores práticas observadas em outros grandes produtores de petróleo como Estados Unidos, Canadá e Noruega.

Este é o contexto em que se insere a nova Frente Parlamentar e o IPEGEN, mas mais profundamente no sentido de prover o encontro entre a Política e as Empresas do Setor, estratégia com foco corretíssimo.

Importante que se diga que, ainda que soluções como o Decreto 2745/95 e o REPETRO sejam posições acertadas e que ensejem uma maior participação privada, muito ainda há que se fazer, e a participação deste setor, principalmente na seara da tomada de decisões e do protagonismo político nos permitirá evolução mais rápida e eficaz.

A FREPEGEN certamente trará tais benefícios por estar conectada a quem efetivamente produz investimento, aplicando recursos na linha da produção, e distribui renda, dois multiplicadores (Keynesianos) fundamentais para o crescimento econômico como um todo, gerando uma "bola de neve" de benefícios conjuntos ao Governo, Mercado e População brasileira.

Que tenha longa vida e produza de imediato seus efeitos!

Monday, February 03, 2014

Empreendedorismo

"Empreendedorismo é paixão e trabalho duro. Qualquer macaco pode ter um MBA."
Bruce Dickinson.

Começo com uma frase que não fui eu quem construiu. Muitas vezes tive a intenção de dizê-la, mas por prudência a evitei e o fiz, pois é perceptível que a dinâmica da empregabilidade no mundo moderno passa pela “conquista” de um currículo cheio de comprovações. Receoso, então, de parecer um Herege e ser crucificado ou tratado como boçal, calei-me. De fato, esta verdade não interessa a quem só importam provas de conclusões de cursos e diplomas pendurados nas paredes, além de títulos de MsC e PhD que enfeitam nomes e em muitos casos adornam embustes de benfeitorias para a sociedade, sem a mínima assertiva de efetividade.
                Não tenho nada contra a educação formal. Deixo isto já claro. O que me incomoda é a eterna visão de que esta é determinante para um papel social fundamental do indivíduo em sociedade. Admito que ela é importante, mas enquanto não a entendermos como um acessório e não como um fim em si mesma, continuaremos uma sociedade capenga. Uma comunidade de indivíduos que acreditam que a ferramenta é mais importante que a técnica de utilizá-la, onde empreender não é nada além de fazer o mesmo e da mesma forma muitas e muitas vezes, confundimos diuturnamente o executar com o realizar.
                Infelizmente na estrutura social está entalhado não somente o estimulo a esta visão deturpada, mas a própria distorção da educação em sua base formal, quando peca ao pautar-se somente nas ferramentas do exercício profissional e no moldar seu modelo mental, ignorando o desenvolvimento da visão crítica e do empreendedorismo. Isto é muito pouco para um mundo onde o emprego dos fatores de produção fica cada vez mais limitado, dada a acelerada automação dos processos produtivos e maior velocidade no fluxo de informações, dependendo cada vez menos de pessoas para executar tarefas e cada vez mais para prover realizações, para criar oportunidades e diversificar as formas de alocação de recursos, empregando fatores com novas ideias que efetivamente contribuirão para a dinâmica de uma sociedade realmente inclusiva.
                Mas o que é empreendedorismo? Gerar valor, inovar, assumir o risco de fazer diferente. Ter percepção da oportunidade e ser criativo para realizar. Num mundo onde a formação escolar e a graduação tornam-se cada vez mais democráticas, e precisam ser, pois as ferramentas devem estar disponíveis para serem bem aproveitadas por todos, os diferenciais estão se reduzindo consideravelmente. Isto redunda que as realizações têm sido cada vez mais escassas, pois onde impera a mesmice e a falta de criatividade não há inovação em processos ou produtos. O resultado é que as poucas inovações ainda desenvolvidas estão concentradas em pequenos grupos transnacionais que reinam absolutos no que tange oferta de bens em escala global.
                Profissionais com visão e dispostos a arriscar novos métodos e formas são fundamentais para empresas que querem se manter competitivas no mercado. Estas mesmas empresas necessitam, o quanto antes, modificar suas estruturas de gestão para identificar e investir em profissionais com perfis empreendedores. O intraempreendedorismo é a saída para as mudanças nos métodos produtivos que necessitam se adaptar aos novos tempos e à demanda, cada vez mais ávida por novidades em prestação de serviços e novos produtos, ou mesmo, às próprias empresas, ansiosas por ganhos de eficiência de processos.
                Fidelizar os empreendedores internos é uma prática saudável para o crescimento, pois no universo competitivo e principalmente na ótica do desenvolvimento sustentável, inovar para crescer deixou de ser apenas uma premissa para maximização de lucro. Passa a ser uma obrigação ambiental, mas, sobretudo, social. É fundamental observar e cativar aqueles que no meio do Caos, ao invés de enxergarem Caos, conseguem ver as oportunidades e transformá-las em sucesso.

“Odeio essas almas pulsilânimes que, por muito preverem consequências, nada ousam empreender”

Jean Moliére

Saturday, May 29, 2010

Rito Escocês Antigo e Aceito

Um guardião do segredo, do que é sagrado e cujos princípios e molduras do caráter são como a couraça de uma armadura que veste o guerreiro, empunhando a espada da verdade, apontada à escravidão da consciência, às paixões que nos tentam dominar e às vontades que devemos submeter, como cavaleiros que somos protegendo o caminho justo e perfeito que sob juramento e consagração, nos comprometemos a prosseguir, este é o sentimento do escocista, ao adentrar ao templo para mais uma seção maçônica
Tão importante quanto o sentimento, porém, é a gênese, raiz que como tudo na maçonaria, remonta a História da sociedade e neste caso em especial, a página triste e marcante que retrata o início do fim da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, ou mais notoriamente da Ordem dos Cavaleiros Templários.
Muito nebulosa é a interação entre maçonaria e Ordem Templária, entretanto com associações históricas fica muito nítida a influência desta ordem na Arte Real, ainda que pouca documentação tenha sido encontrada a este respeito, bem como sobre os próprios Cavaleiros do Templo e sua Ordem, visto ter sido destruído em 1571 o Arquivo Central dos Templários que se encontrava no Chipre além do Arquivo Angevino, incendiado na Segunda Guerra Mundial pelos Alemães, o qual contava com milhares de documentos datados de 1265 à 1435, inclusive sobre a Ordem do Templo. Alguns dos ósculos da barbárie.
Antes de nos atermos à derrocada dos templários, passagens desde a suposta data de fundação em 1096, data das primeiras cruzadas, são necessárias, pois até 1129 quando oficialmente aprovada pela Igreja Católica muito se especulou sobre o que faziam os Cavaleiros, além de dar proteção aos Peregrinos Cristãos que se dirigiam à Jerusalém. Especula-se que neste período de obscurantismo eles se dedicaram à busca do Templo de Salomão e o encontraram, bem como ao seu tesouro, que não apenas se traduziria em riquezas, mas, sobretudo em conhecimento, o que já se esperaria tratando-se Salomão do homem mais sábio desta terra.
Um tesouro desta grandeza não poderia passar despercebido e após um longo período onde a ordem experimentou grande acúmulo de poder e de riquezas, em 1307, impulsionados pela ganância, o Rei francês Felipe IV acusa-os de heresia apoiado pelo Papa Clemente V, iniciando uma perseguição que culminaria na queima de muitos cavaleiros nas fogueiras da Santa Inquisição, assim como na morte de seu último Grão Mestre em 1313, Jaques DeMolay, e é neste momento que começam a se entrelaçar os caminhos dos antigos pedreiros livres e a Ordem dos Cavaleiros de Cristo, mas especialmente no que concerne o REAA, pois neste ponto, conta a história que vários cavaleiros templários, para ocultarem-se do mal que absorvera seus pares se juntaram a várias associações da época, e muitos Imigraram para a Escócia, ficando sobre a proteção do Rei Robert de Bruce, que além de ter parentes Templários, havia sido excomungado em 1307 pelo Papa, o que relegaria algum distanciamento à Igreja de Roma e traria algum tempo de paz aos Cavaleiros do Templo.
Muitas lendas ligam o nome do Rei Escocês aos templários e à Maçonaria, entre elas está a de que ainda com receio de serem descobertos e considerados traidores, os Templários, devido ao seu grande conhecimento de arquitetura sagrada, visto que é incrível a beleza e quantidade de castelos templários verificados pela Europa, se uniram às corporações de ofício, assumindo certo disfarce, o de pedreiros.
Outra evidência forte desta interação é a criação pelo Rei The Bruce em 1314, da Ordem de Heredom de Kilwining, concedendo ao mesmo tempo o título de Grande Loja Real de Heredom de Kilwining à Loja de maçons já existente. Muito se passou e esta relação amadureceu e gerou frutos, tanto que em 1728 ocorre o que poderia ser a origem da tradição Templária na maçonaria, pois nesse ano um barão escocês de nome John Mitchell Ramsay trouxe para Londres um sistema de franco-maçonaria totalmente desconhecido, de cujas origens remontariam da época das cruzadas e sua instituição à Godefroy de Bouillon, Cruzado que em 1099 participou da tomada da terra Santa, mas mais curiosa ainda seria a estrutura deste sistema, que apresentava três graus: escoceses, noviços e Cavaleiros Templários com iniciações deste último acompanhadas de toda a pompa própria das cerimônias cavalariças.
Claramente então, da Escócia vem a influência Templária, mas porque então afirmativa dos estudiosos de que o REAA é um rito Francês? Tal explicação remonta da guerra civil Inglesa e da sucessão do trono, disputado pela Dinastia dos Stuart, de origem escocesa, cuja nobreza, além deles mesmos tinha íntimas ligações com a Maçonaria. Quando em 1649, Carlos I, Rei da Inglaterra é executado finda-se a era da casa de Stuart no trono Inglês, sua viúva Henriqueta Maria de França recebe asilo, com a companhia de nobres escoceses parentes de seu marido, na França. Estes nobres, segundo documentos posteriormente encontrados reuniam-se em lojas. Existe menção feita a Mestres escoceses nas Ordenações da Grande Loja de França em 1743. De fato, existem também registros sobre a formação da primeira Loja stuartista em Saint-Germain-en-Laye, em 1689 e já em 1717, quando do estabelecimento da maçonaria especulativa podia-se considerar um sistema Escocês, com ligações à Escócia através da Dinastia dos Stuarts. Assim nascia o Rito dos Stuart da Inglaterra e Escócia, primeira manifestação maçônica em terras Francesas, mesmo antes da fundação da Grande Loja de Londres em 1717.
Outra passagem importante acerca de nosso rito diz respeito ao termo Antigo e Aceito e sinaliza um importante momento histórico da maçonaria, pois aponta a fase em que convivem na ordem os operativos, antigos, e os especulativos, aceitos. Estes novos membros trazem à Maçonaria a visão de que a loja é um lugar de elevação moral e espiritual, onde a reflexão e ponderação permitiram vários séculos adiante a formação de maçons preparados para enquanto construtores sociais e cavaleiros na batalha em busca da verdade, perpetuar esta Arte Real que é nobre desde seu nascimento e guerreira em sua mais pura essência. Que o mundo não julgue que viemos aqui trabalhar inutilmente, gastando em vão nossas forças... Não o julgará V.´.M.´., é histórica a marca que a maçonaria deixa no véu da sociedade, sobretudo o REAA, um rito moral, espiritual e pautado na honra do cavaleiro, que dá seu coração à batalha e de pé e à ordem está para seus irmão e a quem mais necessitar de seus justos e perfeitos princípios.
Do livro As Sociedades Secretas, de Gianni Vannoni, uma pequena crônica sobre como teria sido o momento em que os Cavaleiros encontraram o Templo de Salomão:


“Vencidos os obstáculos, descobriram uma passagem oculta, só conhecida antes por iniciados nos mistérios e no fim dessa passagem, uma porta dourada onde lia-se as inscrições:

” Se é a curiosidade que aqui vos conduz, Retira-te”.

“Se persistirdes em conhecer os mistérios da existência, fazei antes o vosso testamento e despedi-vos do mundo dos vivos.”

Dessa forma, após muita hesitação, um dos cavaleiros bateu na porta dizendo: "Abri em nome de Cristo" e a porta abriu-se.
Ao entrarem, encontraram entre figuras estranhas uma forma de estátuas e estatuetas, um trono coberto de seda e sobre ele, um triângulo com a décima letra hebraica, YOD.
Junto aos degraus do trono, estava a Lei Sagrada “.

Uma fábula de Pedreiros Livres

Era 12:00 em ponto e o sol estava à pino, quando mandou os obreiros ao trabalho o irmão segundo vigilante, e a grande obra ganhava mais um dia de suor e labor daqueles valorosos e dedicados obreiros .
Como de costume o canteiro estava impecável e a cada peça terminada rapidamente se recolhia ao se lugar e dava lugar a outro trabalho e de tão dinâmico se dava o movimento, foi fácil para alguns perceberem um jovem irmão que destoava dos demais por estar impavidamente imóvel defronte a uma pedra milimetricamente esquadrejada e de tal forma polida que como um espelho este podia avistar a todos os que estavam ao seu redor, apenas no fitar de suas 4 faces.
Envolvidos em suas atividades individuais, muitos dos irmãos sequer lhe davam atenção, porém do oriente ele estava sendo observado, extasiado com aquela construção, estático, como quem espera os louros de uma grande conquista.
Percebendo isso, muitos dos mestres o ignoravam - não lhe daremos atenção - dizia um mestre a outro - para que não fique cheio de si - sussurravam.
Mas um dos irmãos, o mais sábio por sinal, portando um livro aberto sobre fundo radiante foi ter com este irmão companheiro.

Boa tarde meu querido irmão, mas que bela obra tens aí!
Ao que lhe respondeu o jovem companheiro:
E não o é! Poucas vi iguais, com tamanha precisão e tão perfeito esquadrejamento. Acho até que deveria ser exposta como exemplo, para todos pudessem ver que beleza é esta obra.
Sem dúvida – concordou o Orador – E acrescento, uma construção tão bela precisa ser imortalizada, pois a que outra pedra restaria a honra de ser a base, no angulo Nordeste de tão promissora construção que erigimos aqui?

Logo aquela conversa suscitaria a atenção de outros irmãos, pois afinal, não era todo dia que a sabedoria do Irmão orador estava ao alcance de todos no ocidente.
Por fim acabaram-se amontoando vários irmãos para admirar aquela cena e muitos se deram conta daquele trabalho justo e perfeito, que por tanto tempo, apenas aquele companheiro olhava e observava.

Muito feliz por tanta atenção conquistada, disse aquele jovem irmão.

Perfeitas as suas palavras meu sábio irmão orador, e a propósito, visto que tão perfeita obra produzi, já é tempo de ser reconhecido meu valor nesta oficina, inclusive, desafio-os a encontrar alguém que obra tão bela quanto esta, tenha esquadrejado, e como é certeza não encontrarás, exijo por tê-la feito, meu aumento de salário.

O irmão Orador, sem que sequer tremesse seu semblante, assentiu com a cabeça, neste momento já observado por toda a loja que simplesmente parou, serenamente lhe respondeu.

Mais uma vez tendes razão – e todos o fitaram com surpresa, porém ele continuou – e aceito está o seu desafio, adverti-lo-ei, entretanto, que uma obra não pode ser considerada completa e perfeita, apenas ao olharmos sua casca, pois assim como a romã é sustentada internamente por suas sementes, a retidão e a justiça somente serão sustentadas por fortes princípios internos, que não se podem ver a olho nu. Mas veremos ao nosso redor.

Com tantos irmãos olhando o que vinha acontecendo, poucos ainda estavam trabalhando, porém ao olhar no topo da coluna nordeste, lá estava um pequeno aprendiz, com uma pedra tão perfeita quanto à do companheiro, e que por tão concentrado em seu trabalho, sequer levantou a cabeça quando aquela turba foi ao seu encontro.
Ao perceber enfim o Orador a sua esquerda e o companheiro a direita o aprendiz os reverenciou e feliz por sua presença lhes recepcionou.

A que devo tanta honra meus irmãos virem observar-me no trabalho?

Ao que o companheiro sem sequer lhe responder já começara a medir a pedra do aprendiz como que a procurar alguma imperfeição, enquanto este conversava como o irmão Orador.

Que bela obra tens aí irmão aprendiz – ao que lhe respondeu.
Trabalho nela há muito tempo meu irmão e sempre que me deixo pensar que está completa, procuro e encontro alguma imperfeição, começando novamente o trabalho alegremente, pois não é o fim que procuro, mas um eterno recomeço.

Sem ouvir-lhe como deveria, o companheiro diz – Pois então, acho que não deves mais se preocupar com isso, pois inspecionei sua obra e, é claro que não está tão boa quanto a minha, mas está quase perfeita, acho até que deves exigir também aumento de salário, e permito-lhe até que ponha tua pedra logo acima da minha, como base no ângulo Nordeste da obra que sobre elas será levantada, mas o nome. Insisto que seja posto somente na minha, pois venci o desafio.

Fitando-lhe com feição de dúvida, olha-lhe com ternura o irmão aprendiz.

Meu irmão companheiro, com todo o respeito não entendo, como posso eu vangloriar-me desta obra se não fui quem a construiu.

Mas como, se vejo teu avental assim como toda a tua vestimenta lavada em pó de pedra e tu mesmo disseste que há tempos vem trabalhando nesta obra? Questiona-lhe enfaticamente o companheiro.

E não é isso por fim que viemos fazer aqui? – Interrompe-lhe educadamente o Orador- ou julgas que gastamos em vão nossas forças?

Ao ouvi-lo pacientemente, pede a palavra o irmão aprendiz.

Entendo a dúvida de nosso irmão companheiro, porém, ainda assim, não me sinto proprietário de tal obra apenas por que trabalhei nela – e estendendo em suas mãos o maço e o cinzel disse - sinto-me por fim nesta construção como estas ferramentas, que nas mãos de Deus, dão forma ao que o GADU projetou para minha vida e para a vida daqueles ao meu redor residem. – e completou – como poderia eu roubar a glória do Grande arquiteto, pois se for de sua vontade sequer levanto de minha cama pela manhã, sequer respiro o ar que a todos é facultado gratuitamente.

Mas com o coração endurecido o companheiro pôs-se a exigir a promessa do Orador e um grande brado se fez ouvir do trono de Salomão.

Fazei cumprir o que foi prometido ao irmão companheiro – Era a voz do Venerável Mestre – porém é minha a honra de escrever o que lhe cabe em sua pedra.

Feliz que não cabia em si, o companheiro viu sua pedra ser posta no topo da coluna Nordeste e várias pedras serem colocadas sobre ela, e quanto mais pedras eram colocadas mais ele vibrava, porém, começou-se a perceber um problema. Por mais que os mestres tentassem, não se conseguia manter a estrutura firme e a beleza daquela obra não se sustentava, até que pararam de construí-la, pois material estava sendo gasto e nada dava certo.
Indignado com o que ocorrera, o irmão companheiro acompanhado do Orador e do irmão arquiteto foram vistoriar a construção.

Só podem estar querendo me boicotar – disse o irmão companheiro, como pode uma pedra tão perfeita ser base para uma construção tão imperfeita?

Sem nada dizer, os irmãos orador e arquiteto se puseram a esperar, aguardando que algo fosse percebido pelo companheiro e em verdade, o foi.

Ao olhar com a devida atenção, o irmão companheiro percebeu que o Venerável Mestre não havia escrito seu nome na pedra, mas havia gravado uma palavra, lá estava escrito VAIDADE.

Então ele tudo entendeu, e chorando, tornou-se para o irmão aprendiz e pediu-lhe sinceras desculpas. Com os olhos também marejados o irmão Orador lhe deu um abraço e antes que ele também se desculpasse com ele, deu suas considerações.

A mais bela obra sustentada sobre a vaidade é oca e sem destino, morre em si mesma e mata tudo que se aproxima dela. Acrescento que a vaidade é o pior dos vícios, pois é inimiga da inteligência visto que o vaidoso acha que já não tem mais nada a aprender, relegado ao ostracismo e à solidão, pois por se achar tão melhor que todos, se isola no próprio ego. A vaidade já destruiu impérios, e até universos, pois quando uma loja morre por vaidades, é um conjunto de galáxias que se perde. – concluiu o orador.

O venerável Mestre ao ver que ainda não tinha conseguido se recuperar da lição que havia aprendido, se dirigiu ao companheiro em suas palavras finais.

Anima-te irmão companheiro, pois agora é a hora de aprender, tenho certeza que a partir desta lição, serás, no tempo certo, um mestre mais preparado, do que teria sido se por tudo isso não tivesses passado. – e acrescentou – de toda obra de tuas mãos, dá graças ao Grande arquiteto, pois é dele que vem o querer e o realizar, agradecendo, sobretudo, por estares aqui e por seres maço e cinzel nas suas mãos, a construir um novo mundo, que a partir de hoje tem uma pedra mais desbastada, que é você, a fazer parte desta construção.

Que horas são irmão primeiro Vigilante, bradou do Trono de Salomão.

Meia noite em ponto, respondeu-lhe o irmão Primeiro Vigilante.

E mais um dia de trabalho se passou naquela oficina, com a certeza de que os trabalhos transcorreram justos e perfeitos, e mais um pequeno passo se deu para a evolução do Gênero humano, pois afinal, o que viemos fazer aqui?




Uma mente que se abre a uma nova idéia, nunca mais torna ao seu tamanho original.
Albert Einstein.

Tuesday, September 09, 2008

Ter ou Ser Irmão

Na edificação dos costumes e da vivência em sociedade, o construtor e sua obra têm ligação intrínseca em todas as fases do projeto, pois não pode o pedreiro iniciar qualquer trabalho se eximindo da responsabilidade sobre os efeitos que este venha a influenciar durante ou após sua execução. Sendo assim, menos ainda pode o pedreiro livre deixar de medir a todo tempo a marca de sua trajetória como edificador de posturas e conceitos no que concerne o trato e relacionamento entre os irmãos ou profanos do mundo exterior. Neste contexto, o desbastar da pedra bruta não é uma atitude isolada, ela permeia a todos quantos a volta do novo ser acompanham este processo de transformação e neste momento, suas vidas também acabam por ser transformadas, na reação em cadeia onde os bons costumes e a retidão das ações devem ser como o maço, instrumento de força que as imprime nos corações da eternidade.
A postura correta do pedreiro livre, entretanto, esbarra nas entrelaçadas relações do quotidiano enquanto na correria do dia a dia esquecemo-nos até mesmo de quem somos e do novo papel que hora passamos a desempenhar na sociedade. Nestes momentos devem sempre ser lembradas as palavras do V.´.M.´. no encerramento, suscitando diligência, moderação e prudência, cernes da formação moral aprendidas no seio de nossa casa perfeita e às vezes esquecidas ao nos depararmos com os desafios do dia a dia exaustivo. As promessas solenes de amparo, assistência, tolerância e bondade jamais devem estar submersas nos pesados afazeres ou perderemos nossa identidade de homens pinçados da turba e diferenciados da maioria, negando a formação justa e perfeita que como uma dádiva recebemos, permitindo ao mundo que julgue o trabalho de nossa oficina, em vão.
As belíssimas palavras de Davi também nos remetem a um maior sentimento sobre nosso comportamento não apenas em loja, mas no mundo profano também, pois ao citar “Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união”, devemos lembrar-nos que no início dos tempos todas as criaturas tiveram origem num só criador, o Senhor que como o orvalho de Hermon, que desce sobre os montes de Sião, ordena a vida e a bênção para sempre.
Somos de fato então todos irmãos, pois somos filhos de um mesmo Pai cuja harmonia e amor nos foram magistralmente ensinadas pelo Divino Mestre, as quais devem ser cultivadas a cada manhã, partes que são da lista de bons ofícios que deve professar o verdadeiro pedreiro livre e de bons costumes. Enganamos-nos, porém, se pensamos que ter irmãos nos basta, pois neste momento o verbo “ser”, também diferencia-nos da mesmice que ronda a humanidade onde todos buscam “ter”, muitas vezes sem o merecer. Devemos nos esmerar em “ser” irmãos, pois o que o é, é por si só, não esperando mais por isso. Ser irmão é estar disposto a servir sempre a todos os que têm direito aos nossos bons ofícios, ou seja, a sociedade, esta que milita na escuridão, cega a beira do abismo implorando por um fio de esperança, que apenas os atos de homens completos e de bons costumes e, sobretudo, responsáveis por suas ações, podem multiplicar.

Termino com a famosa frase de Voltaire:

“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você diz, mas morrerei lutando para que tenhas o direito de dizê-las.”
Voltaire.